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domingo, 26 de abril de 2015

Por que existem DLCs, lançamentos incompletos e tantos jogos "requentados"?

Por que existem DLCs, lançamentos incompletos e tantos jogos "requentados"?


Porque você compra.
Essa é a resposta "curta e grossa" e também a mais óbvia. Mas, apesar da simplicidade em responder esse tema, ele continua sendo um tanto polêmico e causando descontentamento entre os jogadores que continuam vendo, ano após anos, os jogos virem cada vez mais picotados, bugados no lançamento e serem "mais do mesmo". A verdade, entretanto, continua sendo a regra mais básica do capitalismo: enquanto tiver gente comprando, vai ter gente fazendo.
Um bom exemplo disso é Call of Duty e Battlefield. Todo ano tem pelo menos uma versão desses jogos, e quando temos um lançamento principal, de pompa e circunstância, como CoD: Advanced Warfare, pode ter certeza que o jogo vai vender MUITO. Abaixo segue a lista, segundo o NPD, dos jogos mais vendidos de 2014:
- Call of Duty: Advanced Warfare
- Madden NFL 15
- Destiny
- Grand Theft Auto 5
- Minecraft
- Super Smash Bros (3DS e Wii U)
- NBA 2K15
- Watch Dogs
- FIFA 15
- Call of Duty Ghosts
Apenas três dos jogos acima são novas IPs! Dois e meio, na verdade, já que Minecraft não foi lançado no ano passado. Como pedir para uma desenvolvedora investir tempo e dinheiro num jogo completamente original com a lista acima sendo divulgada pela principal empresa de análise de dados econômicos do mundo?
Não podemos perder de vista que fazer jogos é um negócio, e um negócio caro. Kotaku tem um artigo extenso dedicado somente a este assunto. Então, se uma empresa decide investir tantos milhões em fazer um jogo, ela tem que ter certeza que ele vai vender. Por isso, num mercado que compra tanto continuações e remakes, esse é o investimento mais seguro possível. O que nos leva aos DLCs.
Fazer um conteúdo extra para um game já pronto envolve um esforço e um investimento consideravelmente menores, ainda mais quando o conteúdo já estava pronto e ele só é cortado para ser vendido separadamente. Em fóruns e notícias de jogos o que mais vemos são reclamações constantes sobre a venda desse tipo de conteúdo, mas não o vemos diminuir, apenas crescer e tomar formas cada vez mais estranhas. Um bom exemplo disso é a polêmica mais recente com a venda de "fatalities fáceis" para Mortal Kombat X.
Claro que não podemos dizer que os fatalities fáceis são um sucesso, eles são uma tentativa e ainda não há dados sobre a aceitação do público. Mas a venda de personagens e cenários, com certeza é. Mortal Kombat 9 teve um total de 4 personagens compráveis, já sua continuação vai ter 4 só no primeiro pacote. Enquanto isso, presentes no jogo, já temos mais 3 que provavelmente serão anunciados como conteúdo adicional comprável mais tarde e, quando um jogo anuncia um pacote com 4 novos lutadores logo no seu lançamento, com certeza há mais para vir adiante.
E até agora falamos apenas dos jogos e conteúdos que pelo menos funcionam direito. Você pode estar pagando por requentamentos e DLCs, mas eles entregam o prometido. O que dizer de lançamentos quebrados? Battlefield 4 vendeu mais de 500 mil cópias antes do seu lançamento e o número de bugs que o jogo tinha quando estreou rendeu à EA um cocô de ouro. Mas isso não desencorajou os fãs de comprarem antes do lançamento. O próximo game da franquia, Battlefield Hardline, atualmente consta em primeiro e segundo lugar em suas versões para PS4 e Xbox One para os Top 10 dos games mais vendidos na pré-venda dos Estados Unidos. Deparando-se com esses dados, o que é mais importante para uma empresa gigante, que deve constantemente cuidar da entrada de dinheiro? Lançar um jogo completo e sem bugs ou lançar um jogo?
É importante que o consumidor saiba e entenda o poder que tem sobre as decisões de uma empresa. Mesmo uma gigante como a EA ou a Ubisoft escuta, sim, seus clientes, mas eles precisam falar o idioma correto. E não, essa língua não é flame em fóruns, mimimi no Facebook nem comentários mal educados nas páginas de venda dos games. É um dialeto bem mais simples: "comprar" e "não comprar". Se você compra, a empresa entende que tá bom, se você não compra, ela entende que tá ruim, simples assim.
Não devemos subestimar a capacidade que temos de influenciar o que consumimos no setor de entretenimento. Diferente de comida, que não temos escolha, não podemos ficar sem comer, nós podemos sim, deixar de comprar um jogo. Sim, dói pensar em não comprar aquele jogo que você quer muuuito. Pessoalmente, quero demais jogar com o Jason em Mortal Kombat. Mas, toda vez que você paga uma pré-venda ou compra um DLC, pelo menos tenha a consciência que você está contribuindo para a existência deles.
No setor de jogos, pelo menos, temos a chance de fazer valer nossa opinião. Não aceitem encabrestados tudo que a indústria nos empurra. Aproveitem seu poder de dizer não que a longo prazo vale a pena. Imagina se os unlockables um dia voltam? Sonhar ainda é de graça... 

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